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terça-feira, 10 de março de 2009

A arte do pequeno-almoço


Da sala:
Mãeeee!
Sim..
Podes chegar aqui?...
Sim, diz...
Olha!

Em cima da mesa, no tabuleiro do pequeno-almoço, exibia-se a razão do apelo. Uma obra de arte, construída com as bolinhas de Nesquik prodigiosamente distribuídas à volta da tigela ,onde o leite, entretanto, arrefecia.

A fotografia, tirada precisamente às 07:37:52, não deixa margem para dúvidas... Sempre que a minha filha se atrasa é porque está em pleno processo criativo.

Assim sendo, vou tentar não me irritar todas as manhãs. Tudo em nome da arte!

domingo, 8 de março de 2009

MY FAIR LADY

Enquanto tomava café ela informou que ia lá abaixo. É habitual ausentar-se sozinha até ao andar inferior do pequeno Centro Comercial onde costumamos tomar café ao fim-de-semana, sobretudo para se ir encafuar na loja de animais que faz as suas delicias, e de onde já trouxe para casa vários peixes e uma tartaruga. Desta vez, e ao contrário do que lhe havia sido pedido por ser já quase hora de almoço, demorou-se demasiado. Quando me aproximava das escadas rolantes para descer e ir ao seu encontro, ouvia-a chamar. Acenou-me, assinalando a sua localização. Desci... enquanto me dirigia para ela foi-me fácil perceber o que estivera a fazer...
Toma, mamã, são para ti!
Ela, sorriso doce, rasgado, feliz pela sua iniciativa e pela minha reacção.
Eu, formigueiro no nariz, lágrimas que bailavam, felicidade num abraço apertado que me apeteceu eternizar, assim.
Embora já tendo partilhado com ela a minha opinião sobre a data em causa, manifestando-lhe que, pessoalmente, não encontro nenhum motivo para comemorar este dia em especial, ela fez questão de o tornar diferente. E foi! Na verdade, bem vistas as coisas, se não fosse a minha condição feminina não poderia ter gerado um ser tão especial, uma MULHER de quem, estou certa, muito me orgulharei sempre tanto de ser mãe.
Obrigada, minha filha, mulher-menina, por este recado tão especial. Obrigada, sobretudo, pelas flores que não escolheste ao acaso, num gesto de bem-me-quer que a uma Margarida tanto comoveu!

sábado, 14 de fevereiro de 2009

As coisas doces da vida



Alguém tem noção da capacidade de abnegação que uma criança tem de ter para me oferecer os dois últimos triângulos do precioso Toblerone que a ando a obrigar a dosear há mais de uma semana?...
Ainda bem que os mimos não são como os bombons... Não têm prazo de validade!





P.S. Só para não julgarem que sou uma bruxa completa, informo que só comi um... o outro foi para a menina mais linda deste mundo!



terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Para acabar de vez com os problemas...

- Mãe...
Eu, carregada com os sacos de ginásio e a mochila, a tentar passar entre os carros que estavam estacionados sem me sujar... (só estou a tentar ser dramática porque chovia a potes e não fica bem uma cidadã queixar-se da vida quando se dá ao luxo de acabar o dia no ginásio):
- Sim...
Ela, expedita:
- Sabes porque é que o livro de matemática morreu?...
Eu, a passar os sacos a prestações para não me sujar toda nos carros que estavam estacionados:
- Não...
- Porque tinha muitos problemas! (não preciso de descrever a cara com que disse isto, pois não?)
Desconfio que este era um funeral a que ela gostava de ir!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

O rapaz do pijama às riscas




Se a vida é sempre diferente quando olhada pelos olhos de uma criança, o que dizer da guerra?


Asa Butterfield é o primeiro grande segredo deste filme. Dando vida a Bruno, a personagem central deste drama, este pequeno gigantesco actor conduz-nos duplamente pelo seu olhar, tantas são as vezes em que ao longo do filme os seus olhos gritam mil palavras.

O segundo segredo deste filme è a forma magistral como o seu realizador e argumentista, Mark Herman, nos conduz na violência e brutalidade de um dos episódios mais negros da história sem uma única imagem de violência explicita.


Para mim este filme teve três crianças. No ecrã, duas, divididas por um tenebroso arame farpado. Ao meu lado outra, que no fim procurou a minha mão por não querer acreditar que aquela porta, numa esmagadora cena final, não se abriria.


Não é justo um filme sem final feliz... A vida é tantas vezes injusta!


Felizmente, a sua é um verdadeiro conto de fadas.


terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Valha-me Nossa Senhora!

Há séculos que ando a travar esta batalha. Refiro-me à cruzada contra o excesso de doces, tarefa arduamente dificultada por um bar plantado num Colégio, onde se vendem espécimenes desta natureza com fartura e variedade.
O acordo foi este: Duas vezes por semana - metodicamente 3ªs e 5ªs Feiras - levas 1€ para gastares como quiseres. Não te pergunto em quê e tu vais tentar ter juízo...
Tendo por dado adquirido que esta parte final do juízo é só para me aliviar a consciência, a coisa até nem tem corrido muito mal. Eis senão quando, ontem, a caminho de casa, sou confrontada com a seguinte declaração:
Mãe, amanhã não quero levar dinheiro para o bar.
Os meus olhos dirigiram-se imediatamente para o retrovisor, acompanhando a pergunta de um coração de mãe acalentando a esperança de, ao fim de tanta batalha, ter começado a ganhar território ao inimigo...
Ah é? Então porquê?
É que decidi fazer um pequeno sacrifício... Perante o meu mutismo, prosseguiu:
É que hoje houve uma missa, e o padre pediu para fazermos uns pequenos sacrifícios, para ajudar Maria... e este é um pequeno sacrifício, não é? Por isso decidi que, durante uma semana, não vou ao bar!
Por mim, pecadora me confesso, a conversa poderia ter dado pano para mangas, mas limitei-me a dizer-lhe, mordendo o sorriso para não comprometer a solenidade do momento:
Está bem, parece-me bem... (fiz pausa)... mas olha... se por acaso achares que não está ser fácil cumprir o prometido, podes desabafar comigo...
Sorriu e acrescentou: Está bem!
Só vos digo uma coisa, se o "sacrifício" se cumprir, bem podem, na contabilidade divina, multiplica-lo por três!
E agora, não me interpretem mal, mas aqui fica registado um desabafo de mãe...
Valha-me Nossa Senhora!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Maternalidades

A fotografia de grupo já não é das mais recentes. Foi tirada talvez há dois meses. A equipa foi reforçada com o coelho Quincas, no dia 25 de Dezembro, lá pelas onze da manhã, quando dois embrulhos deixados ao pé da lareira guardavam em segredo um mistério em que já não acredita mas cujo ritual não se deseja perder.
A primeira a chegar à sua vida e à sua cama foi a Skinny Millie, a ratinha anoréctica, presente de madrinha e de quem jura nunca se separarar, nem por sonhos conjugais.

Depois apareceu o tigre, surpresa de ovo de chocolate king size, ao qual se seguiu a Gigi, a girafa de pescoço mole. Mais tarde veio o Felix, o gato de sorriso seráfico que me seduziu numa manhã de Ikea.

Esta tropa divide consigo as noites e, pelo menos três, são sempre eleitos para as cada vez mais frequentes pijama party a que vai.
Quem não gosta de ter companhia quando as noites inflamam os fantasmas dos dias?

Mas o dia volta sempre a acordar e, todas as manhãs, estes pais-anjos-protectores se transformam em filhos-anjos-protegidos, numa espécie de milagre que sublima a vida. Antes de sair de casa, deixa-os aconchegados, entre as dobras do edredão ou na fronha de uma almofada, talvez para que perpetuem o sono que não pôde dormir até ao fim.

Entretanto, canta ao espelho, escova três vezes o cabelo e escolhe a cor do gloss que lhe confirme o quanto é bonita...

Hoje, porque chove, lá fora e cá por dentro, vou passar o dia a ouvir a sua música preferida!


sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Memórias congeladas

Não que me tivesse esquecido, mas aquele gesto, aquela ideia que a assaltou pela manhã, enquanto caminhava para a porta do colégio, reforçou ainda mais a minha vontade de desabafar.
Enquanto apressávamos o passo, mais para ganhar à campainha do toque que ameaçava tocar dentro de poucos minutos do que para fugir ao frio, a minha filha deliciava-se com o "fumo" que dela saía. Olha, mamã! Está a sair fumo! - e rindo, concluiu - Vou fumar!
Quem não fez o mesmo, vezes sem conta?
O desabafo: há já alguns anos que me impressionam as noticias sobre o frio. Melhor dizendo, que se faça do frio notícia. Então não é suposto fazer frio no Inverno? E calor no Verão? Será mesmo necessário fazer alertas às cores para que as pessoas, que hoje gozam de maiores e melhores confortos, se previnam do óbvio? Será lógico ir à cidade da Guarda perguntar, a gerações que caminharam tantas vezes descalças pelas quatro estações da sua infância e juventude, como enfrentam este frio de Janeiro?
O que verdadeiramente me arrepia não é o frio. É pensar que o animal homem se tornou tão vulnerável que não só necessita de ser avisado dos acontecimentos mais naturais da vida como até passou a senti-los como adversidades contra-natura.
O que verdadeiramente me assusta não é a temperatura que o termómetro me aponta nesta época do ano, é a fragilidade de só consentirmos que seja Primavera nas nossas vidas.
Cá por mim, a memória não me falha. Em pequena, "fumei" bem mais do que a minha filha! E que bem que me soube "fumar" assim, logo pela manhã!
P.S. Dizem que amanhã pode nevar em Lisboa!
Ó pra mim a sorrir! :-D

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Os Dias do Ano

A vida está cheia de ritos, de ritmos, de símbolos e simbolismos. De momentos que nos marcam. E seja por serem fruto de uma vivência colectiva, ou seja por serem vividos de forma muito intensa e muito própria no nosso universo interior, são estes momentos que fazem com que os dias do calendário sejam diferentes, dando-lhe cores, cheiros e sons diversos. São, afinal, estes momentos que marcam a cadência da Vida.
Enche-se uma plateia de corações apertados e olhos atentos, máquinas que filmam, outras que fotografam. Enche-se o palco de frenesim e alegria, de deixas esquecidas, de caravelas perdidas e de ovelhas a quem cai o pelo. Muitas risotas. No fim, os aplausos. Muitos. Nem uma festa seria festa se corresse tudo bem! Nem a vida seria a mesma se não fosse sempre assim.

domingo, 14 de dezembro de 2008

O Presente

Há tantas formas de dar presentes.
Sexta-feira, no sofá. Uma conversa cúmplice, ao fim do dia, ao fim de uma semana de relógios, horários e correrias. Descosia-se e alinhavava-se uma conversa mal contada, sobre uns acontecimentos recentes na escola. Tudo esclarecido, um abraço, um encontro de corpos, o calor dos afectos, um momento de paz. De uma cara escondida, escudada nos meus braços, saiu uma confissão. Uma expressão tantas vezes ouvida mas nunca antes por si pronunciada: Amo muito a minha mamã.
Aos nove anos, percebemos que a palavra pesa, que não se diz por acaso e, sobretudo, que por ali andava há muito por dizer, por retribuir, mas que faltava a coragem, ou talvez o momento, para que as asas da timidez que a prendia dentro de si quisessem voar e deixa-la partir sem medo, para o exterior.
Não são só os adultos que têm medo das palavras. Talvez a diferença esteja mais na familiaridade que podemos ganhar ou não com elas, desde crianças.
Não ficou com dúvidas da importância daquele momento para mim. Sorriu, cúmplice, entre a timidez e o orgulho, por ter conseguido finalmente conjugar aquele verbo na primeira pessoa.
Que melhor presente de Natal pode receber uma mãe quando, além de se sentir amada, percebe que a sua filha progride com confiança no campo das emoções?

domingo, 23 de novembro de 2008

Noite de 22: O céu caiu no Parque





No principio era o frio. O atraso. A expectativa.


Depois o céu estilhaçou. Mil estrelas. Bolas de cor.


E nas caras, o medo transformado em espanto. Será que o céu cai?

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Fiz de conta


... E quando ontem adormeci no sofá e uma pequena mão, que tão depressa se fez grande, me veio fazer festas na cabeça eu fiz de conta. Fiz de conta que dormia. Fiz de conta que era gato. Fiz de conta que agora era eu o seu bebé.
É tão bom brincar ao faz-de-conta!
Há pouco, ao telefone, a voz da dona da mão já me deixou prometidas mais festas, logo à noite, para ficares melhor!
Sim, agora faz de conta que és tu a mamã!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Uma leve desconfiança...


Tenho cá para mim que num certo roupeiro lá de casa anda traça. Então não é que os cabides, outrora tão grandes para aquelas roupas, andam a encolher de dia para dia!
Ora digam lá se não é traça!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Uma pergunta mágica...



Que artes de magia fazem com que princesas desencantadas com o ensino brinquem às escolas e sonhem ser professoras?
Será que sabem ser possuidoras de mágicos pós de perlimpimpim?
Aceitam-se palpites!