
Há séculos que ando a travar esta batalha. Refiro-me à cruzada contra o excesso de doces, tarefa arduamente dificultada por um bar plantado num Colégio, onde se vendem espécimenes desta natureza com fartura e variedade.
O acordo foi este: Duas vezes por semana - metodicamente 3ªs e 5ªs Feiras - levas 1€ para gastares como quiseres. Não te pergunto em quê e tu vais tentar ter juízo...
Tendo por dado adquirido que esta parte final do juízo é só para me aliviar a consciência, a coisa até nem tem corrido muito mal. Eis senão quando, ontem, a caminho de casa, sou confrontada com a seguinte declaração:
Mãe, amanhã não quero levar dinheiro para o bar.
Os meus olhos dirigiram-se imediatamente para o retrovisor, acompanhando a pergunta de um coração de mãe acalentando a esperança de, ao fim de tanta batalha, ter começado a ganhar território ao inimigo...
Ah é? Então porquê?
É que decidi fazer um pequeno sacrifício... Perante o meu mutismo, prosseguiu:
É que hoje houve uma missa, e o padre pediu para fazermos uns pequenos sacrifícios, para ajudar Maria... e este é um pequeno sacrifício, não é? Por isso decidi que, durante uma semana, não vou ao bar!
Por mim, pecadora me confesso, a conversa poderia ter dado pano para mangas, mas limitei-me a dizer-lhe, mordendo o sorriso para não comprometer a solenidade do momento:
Está bem, parece-me bem... (fiz pausa)... mas olha... se por acaso achares que não está ser fácil cumprir o prometido, podes desabafar comigo...
Sorriu e acrescentou: Está bem!
Só vos digo uma coisa, se o "sacrifício" se cumprir, bem podem, na contabilidade divina, multiplica-lo por três!
E agora, não me interpretem mal, mas aqui fica registado um desabafo de mãe...
Valha-me Nossa Senhora!